Sobre a Fundação da Parahyba (5/8/2013)

Originalmente publicado no finado PB Pagã em 5-8-2013

Saudações!

 

Felizmente este ano o Poder Público Estadual resolveu cumprir suas próprias determinações parando, de fato, suas atividades neste dia em comemoração à Fundação da Parahyba. O ato fundacional em si possui já um cariz sagrado por excelência, mesmo quando recua num tempo brumoso e incerto, restando apenas ecos de tal momento. A Parahyba, parte mais oriental da Nação Nordestina, hoje despontou a Alvorada de sua história. Já aqui falamos do que um romano chamaria de Genius Parahybensis, de como este nasce Caboclo, filho do Gênio Lusitano (na verdade, Luso-Galaico) e Nativo (na verdade, Cariri-Tupy) e hoje viemos cá falar rapidamente de umas ideias que já buscam espaço para serem expressas faz tempo, sobre a data em especial e do Hino do estado.

Sobre a Data.

A celebração do Gens, do Ethnos, de seus símbolos e sua cultura é aquilo que fora condenado pelo Cristianismo como “Idolatria” (na verdade, toda e qualquer visão mais regionalista/identitária/étnico-nacionalista fora condenada como tal), o cultivo (ou culto) aos símbolos do Povo e da Res Publica, aos seus heróis e protetores, sua História, fomentar a Identidade e o Orgulho, eis as oportunidades de tais datas. Identidade e Orgulho são, talvez, os elementos mais conflitantes com certas concepções em voga. A Identidade pressupõe separação, diferença, e talvez o mais conflitante, a permanência e preservação de tal diferença. Isto conflita com os totalitarismos globalizantes/universalistas (sejam ideologicamente religiosos – como o caso do Monoteísmo Exclusivista, Islã e Cristianismo, especialmente – ou laicos – como o caso do Politicamente Correto). O Orgulho (pessoal, identitário ou pátrio) é visto pelos cristãos como um pecado especialmente pernicioso, uma exaltação do Homem, um desvio da reverência que deveria ser destinada ao deus de Israel e que é, ao invés, destinado a um Povo, ao Mortal; tal visão (como bem exposto pelo Alain de Benoist no Comment peut-on être païen?) remonta ao Judaísmo mesmo; do lado do laicismo politicamente correto, o Orgulho é vinvulado misteriosamente à ideia de Supremacismo Étnico-Racial, desde o complexo nazista, aproximando-se da visão religiosa de “pecado mortal”, sendo por isto, provavelmente um cripto-cristianismo. Mas nós, desde que cônscios disto, podemos nos libertar de tal cadeia de associações programáticas e ideologicamente destinadas ao Rebanho.

Hoje vemos tais datas sob um prisma puramente cívico e “laico”. Mas basta um olhar mais sério para as concepções religiosas indo-europeias tradicionais para ver que para nós, ao contrário dos cristãos, por exemplo, tais datas podem (e naturalmente caminham para tal) ganhar uma dimensão metafísica mais séria. Na verdade, reverterem a seu estado “original”, repaganizarem-se. Basta ressurgirem ânimos menos universalistas/globalizantes e mais regionalistas/identitários em nossa comunidade para tal. Sim, há uma via clara entre tal “Civismo” e as religiões Indo-Europeias (seja de causalidade destas últimas que causaram os primeiros, etc.) e não apenas para as religiões de forte cunho político (no sentido grego) como o Helenismo e a Religio Romana, mas mesmo sob uma perspectiva mais tribal ou de solidariedade “inter-clânica” com a sociedade exterior. Talvez no futuro, com uma comunidade religiosa mais ampla, os Pagãos possam organizar cerimônias públicas em louvor aos símbolos públicos e ao Bem Comum em tais datas, mostrando também – talvez – sua imersão nas raízes e integração no todo cultural e com o meio ambiente local, seu reforço ao Identitarismo e seu compromisso com uma sociedade mais saudável e politicamente melhor. Hoje, sugiro que libemos e brindemos a Parahyba divinizada, a Terra que nos acolheu e nos provê  diariamente, a Cabocla Guerreira e Valente (a “Muié Macho” do imaginário coletivo, expressão feminina do Genius Parahybensis).

  Sobre o Hino.

Faz anos que ainda tenho claro na mente as sensações que tive na primeira vez que ouvi nosso hino. Lembro que a letra pareceu-me ótima, mas a melodia nem tanto. Hoje a melodia, pela ação do tempo e do pensamento, já me é bem agradável e ainda preservo um respeito a letra. Ei-la:

    “Salve, berço do heroísmo, Paraíba, terra amada, Via-láctea do civismo Sob o céu do amor traçada! No famoso diadema Que da Pátria a fronte aclara Pode haver mais ampla gema: Não há Pérola mais rara! Quando repelindo o assalto Do estrangeiro, combatias, Teu valor brilhou tão alto Que uma estrela parecias! Nesse embate destemido Teu denodo foi modelo: Qual Rubi rubro incendido Flamejaste em Cabedelo! Depois, quando o Sul, instante, Clamou por teu braço forte, O teu gládio lampejante Foi o Diamante do Norte! Quando, enfim, a madrugada De novembro nos deslumbra, Como um sol a tua espada Dardeja e espanca a penumbra! Tens um passado de glória, Tens um presente sem jaça: Do Porvir canta a vitória E, ao teu gesto a Luz se faça! Salve, ó berço do heroísmo, Paraíba, terra amada, Via-láctea do civismo Sob o Céu do Amor traçada!”

Ok, o verso “Via-láctea do civismo” realmente é “estranho” (e o considero cacofônico também), mas convenhamos que é uma letra que exalta o cariz valoroso em momentos históricos-chave, além de não possuir nenhuma referência clara a ideias puramente cristãs. Ao contrário, há muito presente a visão Indo-Europeia (e céltica em especial) da associação entre a Guerra e a Luz, do Lumiar do Ardor Guerreiro, do Frenesi valoroso, do aspecto cívico e heróico de um Hino. E nisto uma vez mais notamos como certas concepções imemoriais podem se fazer presentes mesmo quando as pessoas que escreveram tais coisas em nada fossem sabedores ou crentes em tais concepções, mas que em sua Inspiração fizeram resplandecer Luzes Imortais, transcendentes ao contexto histórico imediato. Bem, paramos por aqui. Nossas saudações, pois, a Parahyba – Salve!

Bandeira Indoeuropeia da Parahyba!

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