Vitória de Trump nos EUA e Mangabeira Unger

O assunto da vitória do tal Donald Trump nos EUA é aquele tipo de assunto inescapável. E para nós cá, tão presos às manchestes cotidianas de nossa realidade local e nacional, não deixa de ser curioso ver as reações dos “movimentos sociais” de lá (todos pró-Hillary), com protestos, “ocuppy”, e o escambau (suspeito que arquitetado a partir de fontes Alisnkyanas e Sharpeanas) e como se parecem com certas coisas de cá. Coincidência não? E coincidentemente com o selo “Soros” de patrocínio…

Em todo caso, em meio a toda sorte de falatório, o que talvez seja meu intelectual esquerdista (pois é, pra não dizerem que sou um reacionário radical) favorito, trouxe uma visão interessante que achei por bem compartilhar cá:

Entrevista de Magabeira Unger a BBC sobre a vitória de Trump (clicar para ler).

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Um singelo registro de uma reflexão matutina

Após faltar a última assembleia do sindicato de servidores de onde trabalho, semana passada, chego para trabalhar hoje e descubro que decretaram greve: erro meu, passei o final de semana sem abrir minha caixa de e-mails.

É difícil expressar bem o misto de tristeza e revolta diante da situação planejada das invasões e greves (por motivações político-partidárias, sejamos francos) no sistema de ensino do nosso país. E é fácil constatar o aparelhamento partidário de supostos mecanismos de representação “classista”. Até então, a “modinha” das invasões era apenas uma esquisitisse distante, até transformar-se numa bizarra realidade. E diante disto que venho cá no blog, de certa forma, para dar alguma vazão a uma série de pulsões reprimidas. Não consigo me sentir bem, meu senso de dever parece ser afetado, sinto-me moralmente incomodado quando algo assim acontece, sabendo eu o quanto nossa categoria recebe bem (comparado com os demais professores das redes públicas estaduais e municipais) e o quanto precisamos de ensino de fato, trabalho, compromisso para a situação deste país comece, de fato, a promover uma melhora durável. Não há necessidade para expor motivos e mais motivos para ser contra toda esta bagunça. Creio que textos como este (clicar para ler) já o fazem bem. Apenas acrescentaria que, dentro de uma perspectiva mais religiosa, há o agravante da subversão espiritual da relação sagrada do aprendizado (hierárquica, etimologicamente, mesmo que dentro das conveções e estruturas modernas, com todas as suas limitações e problemas, do processo de instrução formal de nossa sociedade). O que há de “sagrado” no processo, já fora machucado, mal tratado e surrado, mas ao invés de buscarmos resgatar e valorizar o que sobrou, este tipo de loucura “blasfemosa” vem para destruir de vez… E o pior é que, não raro, se não em boa parte, as ondas destruidoras vêm dos próprios professores. Renunciaram as funções “bramanescas”, rebaixaram-se de vez ao “shudraísmo” e reclamam quando são tratados assim pelas elites financeiras e políticas do país, cegos pela loucura fanática do fetiche proletarista. Se há algo de bom nisso, escatologicamente, é que o afundar-se acelerado nesta degradação é, por outro lado, o aceleramento da limpeza vindoura. Um novo ciclo, saudável e forte, se fortalece no horizonte.

Mas, por enquanto, fica só a mirada esperançosa; o sentimento de “impotência” diante das desgraças nem sempre leva a resignação: uma parte dele está buscando meios de “furar” e incentivar a destruição do capenga movimento grevista (por dentro e por fora), uma outra está buscando também elaborar iniciativas que minem ou usem a invasão discente (romanticamente chamada de “ocupação”) contra si mesma: utilizando o espaço para formar uma milícia estudantil para afrontar (com métodos realmente “sorelianos”) os esquerdistas de dentro para fora. Isto é possível. Na verdade, é perfeitamente possível e seria estética e moralmente belo. Mas outra parte de mim, uma parte forte, simplesmente prefere, numa espécie de “nojo” esnobista, virar o rosto (afinal, dentro do que pude, expressei-me contra e me posicionei contra, sou parte vencida, pois) e egoísticamente encarar como muitos (incluindo a maioria dos professores agitadores e panfletários) fazem, como um tipo de “férias”: colocar projetos meus em dia, aproveitar o tempo livre para realizar tarefas e serviços pendentes… A tentação a desistir do público (“eles se merecem”) e voltar-se para minha família, religião e propriedade é demasiado forte. Quando não se tem o saco (ou o estômago) para o trabalho “de chão”, se fica terceirando esta função e desejando que um “salvador” apareça para fazer o trabalho (sujo?) por nós. Cavalga-se o tigre e sonha-se com a oportunidade de desferir o golpe final quando o mesmo cansar. Não se trata de abandono do posto, mas justamente da permanência nele: no front onde nos alistamos e onde temos servido.

E aqui surgens as constatações: a maiora apática, ou mesmo que “contrária”, termina pela inércia (justamente por esta espécie de justificada forma de ceticismo político), a permitir o sucesso dos mal-intencionados. E a radicalização de um grupelho destes (infestados de militantes, 24h/7 dias por semana, travestidos de “professores”) urge, pede, conclama, que se forme uma radicalização no lado oposto. É a natureza dialética que sugere e aqui é onde estes sujeitos merecem ser testados: no combate, na violência regeneradora e santa. Mas é outro front, o front da Ação. Eles já estão com o do Pensamento e o da Ação operando, do outro lado se duvida se o do Pensamento está operando mesmo e se o da Ação existe ou poderá existir. Precisamos, urgentemente, continuar a dizer-lhes que sim, que devem insistir com mais afinco na feminização, no uso de drogas, na depravação sexual, na dependência burguesa acomodada da tecnologia, na completa seção aos sentidos e aos vícios, na completa falta de regra, medida e hierarquia. Nós e os nossos, pelo contrário, devemos investir e treinar: moldar nosso corpo, controlar os sentidos e impulsos, armar-se bem, acostumarmo-nos a privação e ao sacrifício. O Estado, esta palavra bonita para descrever nosso governo instituído, é mentalmente refém deles, é conivente para com eles, é ideologicamente aparentado e posa de “pai” que dá bronca no filho mimado apenas para aparentar, ou dar satisfação social. A conivência das gestões das universidades e Ifs invadidos não é simples covardia, mas sim uma afirmação clara e em bom som, de que se sentem desobrigadas a cumprirem suas funções executivas do Poder Público por discordâncias com as cores ideológicas do atual governo, são uma clara demonstração de que lado estão. E… como fazer algo contra, quando os que deveriam fazer (e por vezes até possuem a responsabilidade e imputação jurídica para tal), estão por ajudar os que deveriam combater? Como defender estas fachadas que terminam por apoiar os que as golpeiam? Devemos esperar “merdas” acontecerem para acelerar as últimas consequências? Devemos causar e instigar as últimas consequências?

Lutar o bom combate é difícil, quando certo lado esquerdo é tão afeito a baixarias, fraudes e covardias diversas… e certo lado direito, quando não se esconde, termina por causa repulsa. Bem, são só pensamentos e talvez alguns estejam retorcidos pela irascibilidade.