Vitória de Trump nos EUA e Mangabeira Unger

O assunto da vitória do tal Donald Trump nos EUA é aquele tipo de assunto inescapável. E para nós cá, tão presos às manchestes cotidianas de nossa realidade local e nacional, não deixa de ser curioso ver as reações dos “movimentos sociais” de lá (todos pró-Hillary), com protestos, “ocuppy”, e o escambau (suspeito que arquitetado a partir de fontes Alisnkyanas e Sharpeanas) e como se parecem com certas coisas de cá. Coincidência não? E coincidentemente com o selo “Soros” de patrocínio…

Em todo caso, em meio a toda sorte de falatório, o que talvez seja meu intelectual esquerdista (pois é, pra não dizerem que sou um reacionário radical) favorito, trouxe uma visão interessante que achei por bem compartilhar cá:

Entrevista de Magabeira Unger a BBC sobre a vitória de Trump (clicar para ler).

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Entrevista sobre a Cristandade (2005) – Alain de Benoist

Viemos rapidamente cá compartilhar uma entrevista de 10 atrás (2005) do filósofo francês Alain de Benoist. Interessante como o tempo tende a “abrandar” (algo visto como “sábio”, e provavelmente é) posições mais radicais da juventude (sim, me refiro aos tempos do “Les idées a l’endroite” de onde vem a famosa expressão do “Cristianismo como o Bolchevismo da Antiguidade” e do “Comment on peut être païen“) e que talvez por isto mesmo, hoje a entrevista tivesse ainda mais diferenças. A entrevista foi concedida no The Occidental Quarterly, vol. 5, no. 3 (Outono 2005): 7–21. Foi longa e, portanto, foi tomada uma decisão para cortá-la. Deste modo, a discussão crítica de Benoist acerca do Cristianismo e as ciências humanas foi removida mas, se não me falha a memória, foi postada por Greg Johnson no primeiro volume do North American New Right. Eu traduzi do inglês, infelizmente, justamente da versão de Greg Johnson publicada no blog da editora Couter-Currents. Se existia já uma versão em português, uma pena, perdi algo do meu tempo que poderia estar sendo dedicado a tradução do “Cristianismo, Bolchevismo da Antiguidade”) – mas aí está de todo modo.

Alain de Benoist

De acordo com o Manifesto da Nouvelle Droite (doravante ‘Nova Direita’), as cinco principais características da Modernidade são a individualização, massificação, dessacralização, racionalização e universalização. A Nova Direita traça as raízes da Modernidade em uma secularização da Metafísica cristã. E também é conhecida pela rejeição de outro produto da Cristandade: o Igualitarismo. O que são pois os “valores aristocráticos” que a Nova Direita diz promover, e como podem contrabalancear cada uma das tendências destrutivas (da modernidade)? E como alguém poderia aderir a valores aristocráticos?

Descrever o Igualitarismo como um mero “produto” da Cristandade é um atalho que, de minha parte, eu não mais tomaria. As coisas são um pouco mais complexas que isto. O que se pode dizer, por outro lado, é que o advento da Modernidade pode ser entendido e analizado apenas à luz do vasto processo de secularização que a caracteriza. O que quer dizer que um certo número de temas que eram antes expressos em termos teológicos foram transferidos para a esfera secular.

A ideologia do progresso, por exemplo, a promessa de salvação no além é transformada na promessa de felicidade no futuro. A própria noção de “progresso” parte de uma visão linear da história (em oposição a uma visão cíclica ou esférica da História) que privilegia o futuro, coisa introduzida pelo pensamento bíblico.

O conceito de Igualdade (que se poderia distinguir de Igualitarismo) traça sua origem na asserção cristã de um relacionamento igual de todas as almas humanas com Deus.

A cativação tecnológica do mundo (das Gestell, para usar um termo de Heidegger) – que começa com Descartes impondo uma nova percepção do cosmos como inteiramente disponível ao controle humano, enquanto a consciência começa a ser reduzida a um objeto da ciência natural – encontra sua primeira legitimação no Gênesis (tanto que, como Heidegger viu muito bem, a tecnologia pode ser tomada como o acabamento da metafísica).

A teoria de Jean Bodin da soberania absoluta do príncipe em respeito aos seus súditos é uma transposição da soberania absoluta de Deus em relação a sua criação. É por isto que Carl Schmitt pôde dizer que os principais conceitos da política moderna são conceitos teológicos secularizados. Este processo de secularização foi também estudado de modo notável por Karl Löwith.

A Nova Direita, pois, não defende valores “aristocráticos”, mas valores de qualquer sociedade tradicional, ou seja, qualquer sociedade ainda não conquistada pela modernidade. De um ponto de vista tradicional, valores aristocráticos e populares são os mesmos. São todos os valores inerentes em uma ética de honra. Em oposição aos valores econômicos e comerciais, são valores de desinteresse e generosidade, como expressos no sistema de um dom e um “contra-dom”.

O grande sistema moral deontológico, do qual Kant é o paradigma, pode ser posto em oposição a ética de virtude Aristotélica: perseguir a excelência pessoal pela prática de “virtudes”. Em tal sistema, o bom necessariamente tem precedẽncia sobre o justo, como Michael Sandel e Charles Taylor muito justamente argumentam contra John Rawls. Aqui se retorna a crítica de Hegel a Kant, ou seja, a oposição de “Sittlichkeit” a “Moralität“.

Qual é tua visão sobre a verdade da fé Cristã? Qual tua visão da apologética cristã? Um cristão poderia te pedir para oferecer uma prova da falsidade da Ressurreição, uma vez que fosse dada, a Cristandade desintegrar-se-ia. Como respondes a este desafio?

É uma questão estranha. Eu não tenho que “provar” que Jesus não ressuscitou tanto quanto eu não tenho que provar que Deus não deu as tábuas da Lei a Moisés no Monte Sinai ou que Elvis Presley não está vivo e vendendo pizzas no Brooklyn! A razão é que não se pode provar uma negação; não se pode demonstrar a não-existência. São os cristãos que precisam me dar provas de suas asserções, provas que eles ainda não conseguiram ter.

Poderias dizer algo sobre o modo violento de como a Europa foi cristianizada? Em que medida a cristianização da Europa jaz em fraude?

A Cristandade foi gradualmente se estabilizando na Europa pelo uso de todos os meios disponíveis. Esta difusão foi por vezes pacífica, por vezes forçada. A contenta entre a Cristandade e o Paganismo, a história que tem sido recontada mil vezes, claro, envolveu muitos episódios sangrentos: conversões forçadas de populações inteiras, perseguição dos pagãos, “cruzadas” internas e externas, etc.

No entanto, a Igreja não detém seu sucesso na força tanto quanto na habilidade que possuiu de tomar os antigos ritos e inclinações pagãs e os misturar para seus próprios propósitos. Por ser impossível erradicar completamente o paganismo, ocupou-se de “cristianizá-lo” dando-o seus conteúdos.

Igrejas foram erguidas por sobre antigos templos, o calendário litúrgico foi baseado no pagão (o Natal substituiu as velhas festividades do Solstício de Inverno, o São João o Solstício de Verão, etc.), as lendas dos santos usurparam os poderes associados às divindades locais, muitos locais de peregrinação foram preservados e o culto de Maria compensou a falta de uma Deusa-Mãe, etc. O Cristianismo foi, portanto, parcialmente “paganizado”, tornando-se ao mesmo tempo mais acessível às massas.

Mas a “paganização” permaneceu superficial, uma vez que toucou apenas formas externas de culto. No entanto, permite a possibilidade de entender a diferença que sempre existiu entre o Cristianismo Popular e a Cristandade Institucional e seu sistema teológico específico.

É a Cristandade uma religião estrangeira para os Europeus? O fato de o Cristianismo ser um portador de uma cultura não-europeia, o Judaísmo, que tornou-se parte da herança européia, constitui um problema? Uma tradição inteira, de acordo com a Igreja, é a “Nova Israel”, faz os cristãos “semitas espirituais”. Daí segue que a tradição Judaica pertence à tradição Ocidental?

Minha crítica da Cristandade, que é primariamente intelectual e filosófica, não tem nada de ver com o fato dela ter nascido historicamente fora da Europa. Simpatizo com certas religiões e espiritualidades orientais, como o Zen Budismo ou o Xintoísmo, que não são estritamente européias em nada. Por outro lado, sou completamente hostil a muitas ideologias que nasceram na Europa. A proveniência de uma ideia não é critério de sua verdade, e o excedente da identidade não é reduzível a sua origem.

Jesus era um judeu do século 1 de nossa era que foi, provavelmente, tomado como um profeta, mas que nunca desejou criar uma “Igreja” universal, muito menos uma nova religião. Convencido da eminente chegada do “Reino de Deus” (Olam haba, “a palavra que está por vir”), foi em nome da Torá que ele se opôs à dominante corrente institucional do Judaísmo de seu tempo. “Eu fui enviado somente às ovelhas da casa de Israel” ele disse claramente em uma passagem dos Evangelhos (Mat. 15, 24.) que completamente contradiz as palavras posteriormente adicionadas no fim de Marcos (16,15) e Mateus (28,19).

Foi somente após sua morte que alguns pensaram que ele era o Messias e passaram a vê-lo como o “filho de Deus” que veio para salvar todos os homens. O Cristianismo como conhecemos é obra, acima de tudo, de Paulo, e é em um mundo mediterrâneo, portanto Ocidental, que o que é essencial a sua história foi desvendado.

O conceito de “tradição judaico-cristã” é, no entanto, muito ambíguo. Rigorosamente, se pode falar de Judaico-Cristianismo apenas em dois sentidos muito precisos: primeiro historicamente, para indicar as primeiras comunidades “nazarenas” na Palestina que estavam sobre a direção de João, vigorosamente opostas aos “heleno-cristãos” liderados por Paulo; depois, teologicamente, para indicar as crenças teológicas comuns a Judeus e Cristãos (crença em um deus único, a distinção entre ser-criado e ser-não-criado, etc.).

Após a destruição do Templo em 70, as duas religiões se separaram completamente: os cristãos foram expelidos das sinagogas, e o Tannaim, os rabinos chefes que então reorganizaram o Judaísmo baseados na corrente farisaica, instituíram o birkat-ha-minim, que amaldiçoa os partidários de Jesus. Por sua parte, a incipiente Igreja Cristã adotou uma atitude explicitamente anti-judaica, que aparece primeiro no evangelho de João, o último dos quatro evangelhos canônicos.

A Cristandade não se tornou menos dependente das raízes do Velho Testamento, mas ao longo dos séculos, aderiu a uma teologia de substituição, que clamava que a Igreja incarnava a verdadeira Israel, excluindo os Judeus enquanto preservava sua identidade metafísica (obviamente uma assertiva inaceitável para os próprios judeus). Esta fenda entre sua origem e sua história é característica da Cristandade.

Mas não se pode agarrar a completude do Cristianismo apenas deixando de considerá-lo como um bloco unitário: a Cristandade primitiva é diferente da Medieval, que não é a mesma coisa da Cristandade da Contrarreforma, Moderna, etc.

Como Celso, que publicou escritos polêmicos contra os Cristão em cerca de 178, pode ser usado como um guia para o século 21?

Celso foi um filósofo neoplatônico, autor de um livro anticristão “Discurso Verdadeiro”, cujo texto nos é conhecido apenas pelas tentativas de refutá-lo por parte dos Pais da Igreja (que também é o caso dos tratados de Juliano, Porfírio, etc.). Eu realmente não consigo ver como seria um “guia para o século 21”. Lendo o livro dele – cujo texto tem sido reconstruído por especialistas – temos, pois, uma ajuda para melhor compreender as polêmicas pagãs antigas contra o Cristianismo.

A Cristandade constitui um veículo viável para a perpetuação do povo Europeu e sua cultura, ou levará a um futuro não-Europeu por causa do desaparecimento do elemento “Germânico” que havia transformado o cristianismo na Idade Média, como James C. Russell mostra tão bem em seu livro “The Germanization of Early Medieval Christianity: a Sociohistorical approach to religious transformations”. (Oxford: Oxford University Press, 2002)? Crês que há uma razão para preservar a Cristandade? Ela pode desempenhar um papel positivo na cultura Européia?

Dito tudo, eu não penso que se deveria felicitar-se pelo aparecimento da Cristandade e seu desenvolvimento. As eras pré-cristãs da Europa não eram espiritualmente deficientes de modo algum. O que é bom no Cristianismo não é novo, e o que é novo não é bom. Mas como eu tenho dito também, a Cristandade não é um bloco unitário. São Francisco de Assis e Torquemada deram a mesma Igreja faces muito diferentes! Não há nada de errado em preferir o antigo. Eu escrevi um livro intitulado “Como se pode ser pagão”, mas isto nunca me proibiu de apreciar autores católicos como Léon Loy, Chales Péguy, Geroges Bernanos e Gustave Thibon, ou de sentir-me de acordo com certos aspectos dos ensinamentos sociais da Igreja.

Para responder sua questão mais precisamente, eu não penso que o Cristianismo é um “veículo viável para a preservação do povo Europeu e sua cultura”. Mas acima de tudo, eu acredito que deve-se entender bem que já não vivemos mais em uma sociedade cristã. O discurso público dominante certamente permanece impregnado de temas de origem cristã ou bíblica, mas os costumes mudaram. Lá como em todo lugar, o individualismo tomou as rédeas.

As Igrejas, como os partidos e os sindicatos de tipo tradicional, estão passando por uma crise profunda. Na França, menos de 8% da população vai a missa ou ao culto de Domingo, o número de padres ordenados continua caindo ano após ano e ninguém obedece mais ao papa no que toca a moral sexual ou as maneiras em geral.

É diferente nos Estados Unidos, onde a crença religiosa e as práticas continuam incrivelmente mais espalhadas. Na Europa continental, não há equivalentes a “criacionistas”, ou “cristãos renascidos”, a “maioria moral” ou aos ridículos “televangelistas” americanos! Mas mesmo nos EUA, pois, não é mais possível falar de uma “Sociedade Cristã”. E é isto o que constitui a versão pós-moderna da secularização.

Indivíduos ou grupos de indivíduos podem, de fato, continuarem a encontrar razões na fé Cristã para viver e morrer, mas ela perdeu o papel decisivo que desempenhou no passado. Não mais constitui o quadro total de referência e o principal critério normativo da existência social. O que significa que o pertencimento religioso hoje simplesmente possui o status de uma opinião entre muitas, na fundação geral do indiferentismo e o materialismo prático. É uma mudança radical na própria definição de religião.

Nestas circunstâncias, a questão não é mais se a Cristandade deve ou não deve ser “preservada”. A Igreja tenta sobreviver, ciclando nostalgicamente o passado que não mais corresponde a nada, enquanto procura na via contrária adaptar-se ao mundo corrente, pela reafirmação de sua vocação Universalista, tentando posar de “autoridade moral”, etc. Isto é problema dela. As verdadeiras questões do futuro jazem noutro lugar.

Por que a Nova Direita não se refere a Cristandade quando prega um retorno às raízes da Europa? Paul Piccone e Gary Ulmen, na introdução deles ao livro de Michael Torigian “The Philosophical Foundations of the French New Right” (Telos, n. 17, 1999, p. 4-5), especulam se 2 milênios de Cristianismo não são o suficiente para fazerem esta religião uma tradição nativa, mesmo se certas partes da Europa (como a Escandinávia e os países Bálticos) fossem cristianizadas somente muito depois. Há muitos movimentos políticos ansiosos por retornar as raízes que pregam um retorno ao paganismo?

A Nova Direita nunca pregou um “retorno” ao Paganismo ou um “retorno” às raízes, ou um retorno a qualquer coisa. Ao invés, nós desejamos ir além da sociedade corrente, mas desejamos visionar o futuro pelas lentes de uma consciência clara do passado. Estas duas aproximações são coisas bem diferentes: recorrência não é sinônimo de retorno! Digamos simplesmente que se pode “futurizar” o presente apenas pela “historicização” do passado.

O problema é que a maioria de nossos contemporâneos vive em um perpétuo presentes, ou seja, em um ponto de vista onde apenas o momento presente conta e onde não se é mais capaz de esperar o futuro ou delinear lições do passado. O passado não é limitado pelo ponto de partida, que é sempre um limite convencional, de todo jeito, mas leva em consideração toda a história realizada. Para fazer qualquer sentido de história, precisamos olhar o maior prazo possível.

A Cristandade forma, obviamente, parte da história Européia, mas a Europa não nasceu com a Cristandade. Quando a Cristandade apareceu, a Europa já tinha 5 ou 6 milênios de cultura e civilização. Falar sobre as “raízes cristãs” da Europa equivale a negar as culturas Latinas, Gregas, Célticas, Germânicas e Eslavas que existiam, o que é obviamente indefensável.

Tens por vezes descrito a Cristandade como o “Bolshevismo da Antiguidade”. A Nova Direita considera o Cristianismo como o ancestral e principal portador do totalitarismo?

Quando a Cristandade surgiu na Europa, necessariamente teve de destruir a ordem antiga. O que levou ao confronto contra o paganismo. Temos inumeráveis testemunhos dos modos nos quais os primeiros cristãos profanaram os antigos lugares de culto, destruíram templos e estátuas dos deuses, deitaram abaixo altares, tombaram colunatas, queimaram trabalhos de filosofia e literatura que os desagradavam, etc. Foi muito mais uma questão de “passar o passado a limpo”. A frase polêmica que citas alude a isto.

Por outro lado, dizer que a Cristandade é a origem direta do totalitarismo é excessivo. Não obstante, contribuiu para, introduzindo no Ocidente um tipo de intolerância – a intolerância religiosa – que era desconhecida antes. O Paganismo muito naturalmente reconheceu a legitimidade das várias crenças professadas pelos vários povos. Com o Cristianismo os conceitos de bem e mal absolutos apareceram, um deus único, ortodoxia, dogma, heresia, inquisição, guerras de religião, etc.

Os cristãos desejavam converter toda a humanidade e lutar contra o que consideravam “idolatria”. Sua religião era, acima de tudo, uma religião moral, e tendem a ver em seus inimigos, não apenas os adversários do momento, mas as próprias figuras do Mal. Para erradicar o Mal, aqueles que clamam incarnar o Bem são rapidamente levados, em uma consciência clara, a empregar quaisquer meios.

Em tempos modernos, os regimes totalitários agiram não diferentemente: clamaram levar a cabo guerras “justas”, declararam os adversários criminosos, e foram inevitavelmente levados a colocá-los fora da “humanidade”. Uma das consequências deste modo de pensar é a eliminação do terceiro: “aquele que não está comigo, está contra mim”, disse Jesus – um dito recentemente repetido pelo presidente George W. Bush.

Roberto Mangabeira Ünger – “Rol del progressimo en el siglo XXI”

Existe algo realmente interessante em parte da Esquerda latino-americana. Tão interessante, que se formos rigorosos na nomenclatura colocaríamos aspas no “Esquerda” em relação a esta ala. Isto é fato mesmo em relação à gente como Hugo Chaves ou Evo Morales. Me refiro a “Esquerda” com um certo viés que não vejo outra palavra para descrever além de ‘nacionalista’ (em contraposição ao universalismo/globalismo da Esquerda, de fato) – que mesmo utilizando no seu jargão os velhos termos (como “progressista”) apontam para algo diferente. Outro termo interessante (utilizado no final) é “vitalidade” que soa de forma bem nietzschiana aqui…

O nordestino que fala abaixo é um dos pensadores nacionais que projeta sua influência de cariz mais nacionalista por sobre uma área considerável da Esquerda – e este vídeo é uma peça interessante da exposição disto.

Programa Milênio – Algumas entrevistas recentes

Saudações.

 

Pelo que pude ver, pareceu-me que o tal programa “Milênio” é o que a Globo melhor produz em termos de programação intelectual – nem sempre os entrevistadores aproveitam bem os entrevistas (mal comum de jornalistas, creio), mas mesmo assim é interessante que a iniciativa vinda de quem vem.

Reuni aqui o link para algumas entrevistas recentes direto do site da Globo – se alguém tiver os ditos programas em algum canal do Youtube, por favor, repassa o endereço nos comentários, ok?

 

“Julian Assange fala sobre seu livro que aborda o futuro da Internet”

“Sociólogo escreve livro sobre a Guerra Global das Mídias”

“Gilles Lipovetsky fala sobre o conceito de Hipermodernidade”